
A história deste jogo podia ser igual a todas as outras, mas esta tem um enorme historial que as demais não possuem. Ela é o culminar de uma série de três episódios que se todos quiserem não vai ficar por aqui. Quem jogou os dois primeiros Fallout, conhece muito bem o enredo que a Bethesda criou: guerras nucleares, grupos de sobreviventes que lutam contra mutantes inchados pela radiação, tudo muito bem engendrado pelos seus autores.
A maior novidade do novo jogo, é a transição para um mundo tridimensional que deslumbra logo no primeiro contacto. Os jogadores incarnam a pele de um jovem e assistem ao seu crescimento, desde o seu nascimento até ao dia em que saiu do abrigo, à procura do seu pai. O momento mais memorável do seu crescimento é quando recebe o seu Pip-Boy Model 3000, um equipamento que todos os sobreviventes do Vault 101 recebem dos seus pais. Como ele, a nossa personagem vai conseguir sobreviver aos perigos do mundo. A passagem dos dois mundos é bastante caótica; se num estávamos abrigados de todos os perigos, no outro somos apenas mais um a tentar sobreviver, e começa logo no primeiro segundo do nosso contacto.

É uma visão deslumbrante, olhar para o horizonte e ver um mundo queimado pelas asneiras dos homens, estamos na Wasteland. Parte dos sobreviventes desta imensa terra árida encontra-se abrigada no Megaton, que é uma espécie de forte, construído com os destroços da guerra e que vai ser o nosso centro nevrálgico nos primeiros tempos de sobrevivência. Fallout 3 é um jogo híbrido, meio de acção, meio RPG, e possui um sistema de combate muito especial. Sendo um RPG, era natural que tivesse um sistema de pontuação que melhorasse as habilidades da nossa personagem. Sendo assim, apresento-vos o S.P.E.C.I.A.L., um sistema de melhoramento de habilidades que permite fortalecer a nossa personagem ao longo do jogo. Divide-se por várias àreas, desde medicina, armas pesadas, e algumas oferecem pontos extras.
Os primeiros tempos de vida são muito repetitivos. A nossa personagem precisa de crescer em habilidade e para que tal aconteça, tem que pesquisar tudo o que se encontra ao seu redor. Os primeiros combates são contra gigantes baratas e cães que por causa da radiação, ganharam novas forças. No início, é complicado lidar com estes perigos, mas a saída de Megaton é essencial para rechearmos o nosso equipamento primitivo. Quando estivermos preparados com melhores armas, podemos começar a lidar com o sistema de combate, o V.A.T.S., que nos permite escolher a zona mais fraca do nosso inimigo e automaticamente atingi-la sem grandes complicações. Naturalmente que podemos optar por um combate normal, mas em determinadas partes do jogo, o V.A.T.S. garante-nos mais probabilidades de sobrevivência.

E ao descobrirem a Central Wasteland, outrora a poderosa Washington D.C., vão perceber que este mundo não é apenas infestado por baratas gigantes e cães mutantes. Também existem os grandes mutantes, aranhas gigantes, piratas e muito mais. Se queremos procurar a resposta para as nossas questões, temos que ultrapassar todos estes perigos.
Muito sinceramente, gostei da jogabilidade do jogo. O sistema V.A.T.S. é simples de entender e apenas temos que dispender algum tempo para perceber o funcionamento do nosso Pip-Boy Model 3000. Um dos pontos essenciais é percebermos que temos de obrigatoriamente guardar parte dos objectos que recolhemos no mundo exterior. Se não o fizermos, ficamos pesados e passamos facilmente para a posição de presa, em vez de caçador. As quests são imensas, e algumas provavelmente não vamos conseguir terminar quando chegarmos ao fim de Fallout 3. Repetir de novo o jogo, e seguir outra via, é importante para desbloquearmos os Achievements.

Graficamente, está mais que deslumbrante. Chega ao ponto de ser possível identificar os famosos monumentos de Washington D.C., como a Casa Branca. Mas o que me deixou atordoado, foi a visão do enorme porta-aviões… simplesmente brilhante. O contraste entre a Capital Wasteland e os seus arredores é chocante. Se de um lado temos uma visão árida cheia de radioactividade, do outro existe a tristeza dos prédios semi-destruídos. Os efeitos sonoros estão ao nível da qualidade do jogo, sendo aconselhável o uso de um bom sistema audio.
O único senão, é o abuso de alguns erros que o jogo apresenta, e que de vez em quando nos obriga a repetir alguns episódios, porque ficamos presos no “nada”. Se conseguirmos usar o sistema de transporte do nosso Pip-Boy Model 3000, somos uns sortudos, porque o normal é ficarmos mesmo presos e termos que recomeçar da última gravação do jogo. Fallout 3 também cai no erro da repetição de cenas, algo que nos pode aborrecer porque temos de nos deslocar várias vezes ao mesmo local para conseguirmos completar determinadas quests. Outro aspecto que achei menos bem, é o visual de algumas criaturas, bastante aberrantes e quando a noite cai e ficamos sem saber onde andamos… o sistema de luz não é o mais

A versão PC deste jogo requer um computador potente para funcionar plenamente, o Toshiba X300 apesar de ser um portátil é um desses computadores, as imagens e o som são dois dos pormenores que mais se valorizam aqui. Fallout 3 é um bom jogo, que se extende por muitas e muitas horas de pesquisa e tem a mais-valia dos conteúdos extras que os criadores desenvolveram e que criam novas personagens e novo rumo na própria historia.

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